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DIA MUNDIAL DO “MEIO AMBIENTE”: A gente vê inteiro, e não pela metade...

Por Socorro Tupinambá

Arte de Moara Tupinambá


Ainda sob os impactos das tragédias mais recentes, muitos quase que “na marra” tiveram que se dar conta dos extremos climáticos aos quais chegamos. Embora, muitos ainda permaneçam ignorantes quanto a esses impactos, na sua magnitude. Antes tarde do que nunca, pois já é tarde para consertar os erros, e conseguir evitar as consequências que ainda estão por vir. Inevitavelmente, e dolorosamente, já chegamos ao ponto do não retorno, quando já devíamos ter retornado faz tempo. E, agora, o que fazer? É a pergunta que, desesperadamente, não quer calar. O que se sabe é o que não se deve mais continuar fazendo. E o que nós, povos originários desta Mãe Terra, não só sabemos – bem como a gente vem alertando faz tempo, e todo o tempo –, é que o tal “ambiente”, o qual vocês escolheram chamar dessa forma, não pode ser considerado o “meio” para vocês chegarem aonde quiserem, e como bem entenderem. Por verem dessa forma, sem escrúpulos, ambiciosa, gananciosa, predatória, consumista, capitalista, conseguiram chegar aonde chegaram: ao extremo.


Então, a vocês, que “tentaram salvar o planeta”, saibam que, ele vai saber se virar sozinho, mesmo com as mudanças extremas... A preocupação, agora, devia ser como conseguir salvar suas vidas, enquanto há tempo, pois vocês sequer se prepararam para essas mudanças. Mudança que devia começar por rever suas formas destrutivas de “desenvolvimento”. Um modelo excludente, que só gerou mais desigualdade e pobreza.


Contudo, sabemos que jamais renunciarão a seus sistemas econômicos genocidas, aos seus projetos de morte. E assim, decretarão o próprio fim da espécie “humana”. Por outro lado, há os que acreditam que podem segurar o céu com projetos “sustentáveis”, e que ainda é possível “restaurar” a Terra, reflorestando, e assim desacelerando as mudanças climáticas e seus impactos.


Entre os projetos de reflorestamento, não podiam faltar aqueles que insistem em nos ludibriar, os tais “greenwashing”, mascarando as suas ideias como “ecológicas”. Assim, ultimamente sofremos as invasões dos “desertos verdes”, que nada mais são que o reflorestamento com monoculturas introduzidas pelo próprio homem. E há os que justificam esses projetos como uma forma de recuperar os danos da desertização, sendo esta em consequência dos eventos “naturais”. O deserto verde, expressão utilizada por ambientalistas, é o reflorestamento com espécies exóticas, com baixa biodiversidade, e aqui se incluem principalmente a usada na produção de celulose como o eucalipto, o pinus, e a acácia, que vêm ocupando áreas extensas, roubando o lugar da flora e fauna no Brasil, tentando enganar ao manter o “verde”.


Outra forma é a cana de açúcar, usada na produção de etanol e biocombustíveis. Por mais que seja verde, essa “floresta” não é habitada pela diversidade de espécies, por serem restritas à uma única espécie de flora, e isso limita a cadeia alimentar. Desse modo, evidentemente, e irrefutavelmente, esse tipo de reflorestamento causa desastrosos impactos ambientais. Não obstante, no Brasil, essas monoculturas têm causado impactos também sociais, por descaradamente invadirem os territórios de povos tradicionais e originários.


Exemplo disso é a invasão por empresa de eucalipto no território Pataxó, na Bahia. Por ser de uma única espécie,  o deserto verde não apresenta a riqueza de diversidade, e consequentemente empobrece o solo, propiciando degradação, e erosões, pois perde a capacidade de reter água, devido ao manejo inadequado. Isso sem falar que, também necessita de muito mais agrotóxicos. Essa monocultura está transformando terras férteis em áridas, retirando a proteção natural que existe, e expondo muito mais o solo, favorecendo os impactos climáticos. Não bastasse o agronegócio, com o avanço do pasto, já ter destruído a nossa vegetação natural, com o desmatamento de imensas áreas, contribuindo para as emissões de gases de efeito estufa. Além da produção de soja, usada no alimento da pecuária, que também agridem e empobrecem o solo, alterando severamente o clima. Os modelos de produção baseados na pecuária e monocultura vem impactando em todos os nossos biomas, e consequentemente no clima. Então o que esperar do futuro?


O futuro é ancestral, por isso os povos originários vem trazendo seus conhecimentos ancestrais milenares, os quais defendem o cultivo sempre respeitando a natureza, por se entenderem como integrantes indissociáveis dela, e como única forma capaz de proteger  e se conectar com a Mãe Terra. Seguiremos protegendo a biodiversidade, e assim diminuindo os impactos causados por esses modelos de projetos que só visam o lucro.

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