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Ser Indígena


Título: Brasil Terra Indígena. Ano: 2022. Técnica: Fotografia digital. Autoria: Filipe Russo.


Ser Indígena não pode ser algo distante, fora de nós, um ponto exterior na direção para a qual caminhamos. Esse esvaziamento identitário é um dispositivo econômico de controle, o qual contabiliza e distribui acúmulo e escassez identitária, conforme as demandas de seus instrumentadores.


Ser Indígena é uma forma de resistência que os povos originários ao redor do mundo assumiram após serem racializados, primeiro pelo imperialismo colonial e depois pelos Estados-nação.


Foi imputada a incapacidade civil às populações étnicas identificadas como índias e índios, a partir daí produziu-se etnocídio, genocídio, escravização, racismo e xenofobia com fins de espoliação e dominação territorial.


Ser Indígena é retomar os territórios simbólicos e materiais invadidos pela monocultura hegemônica. Da folclorização à taxidermia fotográfica, os bens multiculturais dos povos originários foram mercantilizados pela branquitude em escala industrial e mundial, tornados ora artigos exóticos de curadores e museus, ora artigos banais como fantasias e entretenimento de massa, sendo assim esvaziados das suas funções ritualísticas e ancestrais, nas quais foram concebidos.


Os próprios centros urbanos, brasileiros em particular e americanos em geral, foram erguidos sobre territórios ancestrais e a estes devem respeito, tributo e permissão para passar, ficar e reformular a paisagem natural.


Ser Indígena é sincretizar as culturas originárias com as demais, uma vez que se entende que a mestiçagem não é simples genética, sua hereditariedade é profundamente cultural e já ocorria por toda Abya Yala, antes da invasão européia.


Só no sincretismo pode haver a união potente e reconciliadora entre múltiplos pertencimentos que atravessam nossos corpos-povos-territórios.

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